Archive for May 14th, 2008

14
May
08

Resposta à resposta

Resposta a
http://existencialidades.wordpress.com/2008/05/14/resposta-a-minha-venus/
e é igualmente sem interesse para todos que não a autora

Acredito em cada palavra que você me diz. Nos assuntos do amor – e for that matter iria até mesmo mais longe incluindo todo tipo de relações humanas – você sempre terá seis meses equivalentes a muitos e muitos anos de experiência a mais que eu. Não posso dizer que sei muito bem do que falo, e essa, querida é a diferença essencial entre nós que eu jamais consegui nem conseguirei superar, linha intransponível entre meus textos e os seus. Não falo por esperança, e não acredito fazer nada mais que me basear em experiência própria e tirar minhas conclusões, bem pensadas e cuidadosamente provadas.
Então lá vamos nós de novo nos raciocínios longos e confusos de Sophie McManis. Imagine que o universo em que você vive é um quarto, seu quarto. Você tem uma parede vazia, e você tem que construir um móvel com aquela pilha enorme de pregos, tábuas e ferramentas que botaram lá para você quando você nasceu. Se falta alguma coisa, você mesma pode sair e pegar, ou você pode construir uma estante um pouco mais capenga. Você aprende, você faz alguma coisa, suporte, prateleira, suporte, prateleira. Mas anyway, não é na estante em si que eu quero me concentrar, mas sim na pilha de todas as porcarias (oportunidades) que você vai encontrar na vida.
Se você acha que a matemática, ou o amor, são desnecessários, você não precisa revirar a pilha atrás deles. Mas invariavelmente são coisas em que você vai trombar enquanto procura por todo o resto. Quem sabe, se você achar, e gostar, achar legal essa prateleira rosa, cheia de desenhos, você usa ela. Mas é um falso apoio. É um apoio que se vai com o tempo, que nem sempre aguenta o que se contrói e cima. Há quem troque sempre essa prateleira, há quem prefira dispensá-la por não valer toda a dor e sofrimento que causa só para poder ver esse colorido todos os dias.
Eu já achei essa prateleira uma vez. Eu sabia que ela ruiria um dia, e pus minha vida de lado, em espera, para observá-la e saber quão rápida seria sua putrefação. Ela apodrecia rápido e perdia seu colorido, mas eu preferi não ver isso, e o dia em que ela ruiu de vez, o susto foi tamanho! E só sobraram pedaços negros, sentimentos desagradáveis. Não nego que ainda posso encontrar mais dessa lendária prateleira, mas nunca mais ousarei tocá-la, muito menos parar minha vida para vê-la se decompor. Nada vale aqueles restos que sobram depois.
Mas o abraço, ah! O abraço! Aquele abraço acabou, mas parece que foi agora, e tudo que senti veio para ficar, e é agradável, é seguro, e apoiei tudo que pude naquela prateleira. Ela não é impetuosa ou pomposa como a outra, mas é tão colorida e bela quanto se pode desejar, e hão de vir outros abraços como aquele, sem que a magia de nenhum se perca, não importa quão banais e rotineiros eles se tornem. Não perderei minha fé nesses abraços.

XOXO

Marquise de Merteuil [14/05/08]

14
May
08

Kozak ou O Primeiro Abraço

Sempre perguntei muitas coisas a muitas pessoas. Eventualmente aprendi que é mais garantido descobrir sozinho ou perguntar a alguém em cuja resposta você apostaria até sua própria vida do que sair por aí perguntando para as paredes e aceitar as respostas que vierem; até porque certas perguntas podem ser embaraçosas de se fazer e de se responder.
Então sempre me perguntei o que levava mulheres a passar a vida procurando um marido; e o que faltava à elas, mas não àquela que optam pelo ‘celibato eterno’, por vontade própria, e não sentem a falta de um homem em suas vidas? A primeira fui levada a entender pela experiência, apesar de ainda ter muitas facetas da questão a explorar, acreditava ter uma visão geral suficiente. Tendo aprendido muito sobre isso, e levada pela curiosidade de entender o instinto animal que me rodeava, presente em todas as minhas amigas menos eu, aparentemente, ‘fiquei’ com um garoto em uma festa, sem sentir nada de especial por ele. Não que eu nunca tenha tido nada com garotos, pois de fato me apaixonei uma vez, e a decepção e eventual perda de todo sentimento amoroso me fez perceber que de repente todos os seus defeitos eram muito menos suportáveis. Mas aí também, eu não tinha me apaixonado por um ideal, mas eu já não tinha mais nenhum motivo para ter que agüentar seus hábitos irritantes.
Essa repulsa que me veio dos dois garotos só me empurrou mais para o tal celibato eterno. Por que certas mulheres não sentem necessidade do homem que sempre estará lá, por que não se importam de não morar junto e de nunca selar uma relação com anéis e/ou papéis do cartório? O que elas têm que as outras não?
Pois bem, eu tenho um professor de francês esse ano, melhor que todos que eu já tive, mais incrível que todos os meus professores preferidos combinados. Ele é gay, claro. E eu considero ele quase como um amigo, nada de profundo, mas sempre alguém legal (y) em quem você pode confiar, e que eu peço que leia meus textos e poemas, cuja opinião importa. E pessoa para quem, quando ele for embora ano que vem, eu pretendo dar meu e-mail, endereço, telefone e o caralho a quatro, além de uma linda cartinha mencionando o quanto ele me incentivou, ensinou, o quanto ele é notável e o quanto eu gostaria de manter contato – por menos que fosse, algum. Anyway, ele me devolveu um poema que eu tinha pedido para ele ler, isso hoje mesmo, e ele fez alguns comentários fodásticos (elogios, duh). Então eu falei “Posso te abraçar?” e ele respondeu daquele jeito dele “Claro, claro”, e eu abracei ele. Foi uma sensação de conforto muito particular, abraçar alguém como ele (e o cabelo dele é muito macio. Por que heteros não se preocupam com o cabelo?). Foi um abraço sincero, foi confotante, e trocava todos os beijos e abraços de todos os heteros do mundo por aquele abraço.
Chego à conclusão que eternas solteiras voluntárias tem uma coisa muito óbvia que outra mulheres não têm : homens gays, mas não bichonas afetadas! Aqueles elegantes e de bom gosto que poderiam até passar por metrosexuais. E que ou eles são mais que suficientes para substituir os heteros ou eu nasci para o celibato eterno. E sinceramente, tanto faz, desde que eu possa ter um abraço daqueles sempre que quiser. Se eu for uma “Angles da vida”, tant mieux, pelo menos eu sei que eu posso conseguir um Yvan Kozak na minha vida.

XOXO
Marquise de Merteuil [12/05/08]




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