14
May
08

Kozak ou O Primeiro Abraço

Sempre perguntei muitas coisas a muitas pessoas. Eventualmente aprendi que é mais garantido descobrir sozinho ou perguntar a alguém em cuja resposta você apostaria até sua própria vida do que sair por aí perguntando para as paredes e aceitar as respostas que vierem; até porque certas perguntas podem ser embaraçosas de se fazer e de se responder.
Então sempre me perguntei o que levava mulheres a passar a vida procurando um marido; e o que faltava à elas, mas não àquela que optam pelo ‘celibato eterno’, por vontade própria, e não sentem a falta de um homem em suas vidas? A primeira fui levada a entender pela experiência, apesar de ainda ter muitas facetas da questão a explorar, acreditava ter uma visão geral suficiente. Tendo aprendido muito sobre isso, e levada pela curiosidade de entender o instinto animal que me rodeava, presente em todas as minhas amigas menos eu, aparentemente, ‘fiquei’ com um garoto em uma festa, sem sentir nada de especial por ele. Não que eu nunca tenha tido nada com garotos, pois de fato me apaixonei uma vez, e a decepção e eventual perda de todo sentimento amoroso me fez perceber que de repente todos os seus defeitos eram muito menos suportáveis. Mas aí também, eu não tinha me apaixonado por um ideal, mas eu já não tinha mais nenhum motivo para ter que agüentar seus hábitos irritantes.
Essa repulsa que me veio dos dois garotos só me empurrou mais para o tal celibato eterno. Por que certas mulheres não sentem necessidade do homem que sempre estará lá, por que não se importam de não morar junto e de nunca selar uma relação com anéis e/ou papéis do cartório? O que elas têm que as outras não?
Pois bem, eu tenho um professor de francês esse ano, melhor que todos que eu já tive, mais incrível que todos os meus professores preferidos combinados. Ele é gay, claro. E eu considero ele quase como um amigo, nada de profundo, mas sempre alguém legal (y) em quem você pode confiar, e que eu peço que leia meus textos e poemas, cuja opinião importa. E pessoa para quem, quando ele for embora ano que vem, eu pretendo dar meu e-mail, endereço, telefone e o caralho a quatro, além de uma linda cartinha mencionando o quanto ele me incentivou, ensinou, o quanto ele é notável e o quanto eu gostaria de manter contato – por menos que fosse, algum. Anyway, ele me devolveu um poema que eu tinha pedido para ele ler, isso hoje mesmo, e ele fez alguns comentários fodásticos (elogios, duh). Então eu falei “Posso te abraçar?” e ele respondeu daquele jeito dele “Claro, claro”, e eu abracei ele. Foi uma sensação de conforto muito particular, abraçar alguém como ele (e o cabelo dele é muito macio. Por que heteros não se preocupam com o cabelo?). Foi um abraço sincero, foi confotante, e trocava todos os beijos e abraços de todos os heteros do mundo por aquele abraço.
Chego à conclusão que eternas solteiras voluntárias tem uma coisa muito óbvia que outra mulheres não têm : homens gays, mas não bichonas afetadas! Aqueles elegantes e de bom gosto que poderiam até passar por metrosexuais. E que ou eles são mais que suficientes para substituir os heteros ou eu nasci para o celibato eterno. E sinceramente, tanto faz, desde que eu possa ter um abraço daqueles sempre que quiser. Se eu for uma “Angles da vida”, tant mieux, pelo menos eu sei que eu posso conseguir um Yvan Kozak na minha vida.

XOXO
Marquise de Merteuil [12/05/08]


2 Responses to “Kozak ou O Primeiro Abraço”


  1. 1 Francoise
    May 28, 2008 at 3:35 pm

    Bonjour! Ce que tu as écrit est purement beau…je crois pouvoir partager la sensation que tu décris…avec cette personne si spéciale, si unique qu’est Yvan…Il a été mon professeur aussi, au Chili, avant d’aller à Rio, où je suis allée le visiter il y a 4 ans… Malheureusement j’ai perdu ses traces…je n’ai plus eu de ses nouvelles depuis un certain temps. C’est très reconfortant d’avoir trouvé ce que tu as écrit..et de savoir qu’Yvan continue à faire des “heureux” dans le monde…

    Obrigada!


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