Archive for August, 2008

28
Aug
08

She is leaving school

Há algo de irônico em ver a Isa com medo de se perder. Uma daquelas ironias sacanas que me fazem sofrer.

Isa, você não pode deixar nós, pobre humanos cheios de erros que já te fizemos tanto mal, te impedirmos do quê você sabe que é o melhor. Entenda, querida, eu te amo, e apesar nem conseguir mais lembrar como era meu dia-a-dia idiota antes de você, eu sei que é o quê você quer e não posso parar você. Eu prefiro que você vá para uma escola brasileira, porque é isso que você quer, é o melhor, e prefiro mostrar meu apoio apesar de tudo, porque eu, eu sei bem como se sofre sem o apoio quem te ama. Se eles não vão te apoiar, quem vai?

Então aproveite, você tem tantas oportunidades maravilhosas, e nunca se esqueça do que você aprendeu no Lycée, seja com os professores ou com os seus amiguinhos idiotas, porque acho que no final vai ter valido a pena.

Eu te amo muito, então é bom estudar pra caralho pra eu saber que não foi tudo em vão. E aproveita que você vai sair da escola meio-dia pra dedicar algum tempo à minha pessoa, sabe?

beijos.

24
Aug
08

pequena nota…

sobre drogas e tals.
não usem drogas pra fugir dos seus problemas, isso é coisa de gente fraca e covarde.
fora isso quem se importa?

23
Aug
08

gira mundo, gira.

ou ‘o personacentrismo da via lactea’

“[...] Como cada uma de vocês entrou no meu pensamento, no meu coração…”, disse certa vez Isa Carral. (Ou vocês acharam que por uma vez eu tinha tirado um tema do ar enfumaçado do meu quarto?)

Então, por que eu nunca me senti assim, gradualmente contagiada pelas pessoas? Pessoas nunca foram de pouco pra muito, eu tenho um instinto pra isso : eu sabia que a Isa um dia ia ser A Isa, mas eu também sempre soube que a Héloise, por exemplo, nunca ia passar disso, aquela pessoa que é simpática, sim, mas não tem muito a ver comigo.Tá, eu nunca de fato mudei. Eu nunca estive em outra escola. Mas eu até cheguei a pular de ano. E eu era semi-nômade antes de encontrar esse apartamento de Laranjeiras. Mas minha vida toda, pessoas foram e voltaram (culpa dessa escola bilingüe e da maldita Michelin), e eu odeio admitir, mas nunca senti saudades. Exceto, e digo isso com orgulho, da Juliette. Nunca ninguém me fez falta nenhuma, exceto ela.
Eu pulei de ano e parei de falar com todas as minhas melhores amigas para mergulhar num círculo social totalmente novo quando eu ainda era aquela meninha tímida. Pessoas sumiram na minha vida, ‘ah, eu volto pro Brasil assim que puder, me escrevam e-mails!’ e nunca mais deram nenhum sinal de vida, e como isso me afetou?
Por que a Isa sente essas diferenças, de se tornar alguém em lugares e com pessoas novas, e eu… não?
É simples. E é complicado ao mesmo tempo, porque é controverso, como tudo da natureza humana. Porque a Isa é a Eterna Romântica e eu sou a Realista Inveterada, mas nossos mundos, são o contrário.
O mundo da Isa, não é o Mundo Da Isa, é o mundo onde ela vive, é um mundo fixo do qual ela faz parte. Onde num lugar novo, as pessoas já estavam lá, ela é o elemento recém-chegado.
Meu Mundo, é precisamente isso, “MEU Mundo”, eu sou o centro, eu sou fixa, o resto é que é passageiro. Custa deixar uma marca em mim como a Juliette conseguiu. Receio dizer que nem a Isa ainda consguiu, apesar de estar num ótimo caminho. Os lugares que eu não conheço, será que eles existem? Podem até existir, mas falta concretizar. Eu sou a pessoa que não se importa com tudo que há em volta, eu aproveito o horizonte que eu posso ver agora.
E é por isso que a Isa vai ficar no Rio de Janeiro, e eu vou embora.
Parecia que fazia mais sentido na minha cabeça, no papel fica confuso, mas façam um esforço, está tudo aí para vocês entenderem.

11
Aug
08

a capacidade de se perder.

Se perder é um dom, uma capacidade de se deixar levar, que nem todo mundo tem. Eu não tenho, o que não quer dizer que eu não consiga me perder de vez em quando. Não é que me falte coragem, já que coragem não é a falta de medos, mas a capacidade de enfrentar esses medos. É que se perder só vai acontencer quando você parar de tentar. (:

Eu gosto mesmo é de mudar de ponto de vista. Quando eu faço alguma coisa, eu faço porque gosto, apesar do meu maior medo ser a imperfeição (verdade seja dita), e um grande prazer sempre foi poder analisar, interpretar, sentir as diferenças. Há algo de narcisista nesse meu prazer, uma certa sede de poder, até um certo sadismo, adoro ver as reações alheias a qualquer coisa. Passei de leitora a escritora, porque amo a linguagem, a escrita, e sabia que tinha o dom, e me diverti quebrando padrões, mudando regras.

Quando passar de aluna a professora, porque nada me afetou tanto na vida quanto as boas experiências que tive na escola, e aí também sei que tenho o dom, senão jamais ousaria tentar (medo da imperfeição evidente aqui), sei que haverá algo indescritível em estar na frente da sala pela primeira vez, com tantas possibilidades, tanto potencial para fazer a diferença nas mãos, e sei que vou adorar.

Mas você, o que há com você, Isabela? Está para nascer algum mais perdido e tão encontrado quanto você. O dom de se perder é um dom apenas porque implica que você sabe quando parar. Você só não dá bola para a escola porque sabe que consegue se virar mesmo assim. E é isso que eu admiro. Porque quando eu me perco, peno para encontrar o caminho de volta :D

E Isa, eu te amo, tá? Você pode fazer o que você quiser. Você sempre vai saber como conseguir, sempre.

09
Aug
08

Desconexões invernais.

(ou A Bipolaridade de minha juventude)

O que há de verdadeiramente errado quando alguém é absoluta e totalmente feliz, eu vos pergunto. Nada, vocês hão de me responder. Isso se vocês forem minimamente normais, até para quem estuda em minha tão peculiar e pitoresca melting-pot escola.
Acontece que isso não é verdade. Não vou tão bem quanto gostaria na escola, não durmo tanto quanto deveria, não tenho o tempo de fazer tudo que preciso, não tenho o homem que quero, não quero os homens que tenho, nesse momento minha cabeça ainda parece prestes a explodir depois de três horas e muita cafeína. Ainda assim, nunca estive tão feliz.
Os dois pilares que passei minha vida tentando projetar e construir, agora estão parcialmente prontos e tão perto de poderem agüentar os pesos insuportáveis de minha consciência, pude enfim largar o mundo que levava nas costas e pude provar da liberdade que Atlas nunca teve a possibilidade de usufruir. Minha vida toda, me auto-flagelei com dois sonhos que sempre julguei impossíveis e agora estão à la portée de la main, tenho um ‘livro’ pronto e um livro de fato em processo de criação, e aquele outro mais inalcançável ainda, eu alcancei, já havia alcançado há tantos e tantos anos e nunca tinha percebido.
A verdade é que minha vida toda me imaginei fazendo uma só coisa, numa única carreira, sem jamais perceber que era aquilo que eu deveria fazer, que não eram apenas divagações. Em meados da 5ème, depois de doze anos tentando achar algo que ‘coubesse’, que me ‘caísse bem’, que me fizesse sentir confortável, eu me dei conta de que nada do que havia considerado era certo, porque a resposta correta estivera sempre ali, no meu nariz dançando samba com uma roupa de carnaval e um chapéu rosa de penas, tentando chamar minha atenção. Eu serei professora. Essa é a verdade. Porque depois que tomei essa decisão, nunca mais senti o aperto na barriga da incerteza. Digo com toda a sinceridade que foi a primeira decisão de minha vida da qual eu não me arrependi, a primeira de muitas, a estréia de minha maturidade.
Porque naquela época, e ainda um pouco depois, eu não era ninguém. Eu era as máscaras que vestia, porque ainda estava na idade de experimentar, de decidir, e a minha incapacidade de conseguir começar a ser alguém me deprimia, me rebaixava, me humilhava a minha não-existência. Eu sou alguém agora. Eu sou eu.
E mesmo sabendo que preciso de uma bolsa de excelência para estudar na França e fugir do palco da minha juventude multi-facetada de que tenho tanta vergonha, continuo numa certa preguiça, e apesar de ter declarado guerra à minha própria cara-de-pau, ainda me sinto um tanto fracassada e tenho medo de ser um fracasso total e ter que viver a vida toda sob a sombra de minha ex-não-existência, ser quem eu nunca fui aos olhos de quem me viu crescer e mudar, pessoas que acham que quem eu sou hoje é uma farça quando na verdade é e sempre foi eu na minha mais total franqueza de ser.
Mas tanto peso retirado das minhas costas me faz me sentir como se estivesse flutuando, e eu gostaria de poder voltar um pouco à realidade para poder voar de verdade quando não tivesse nada me esperando no chão, para sair voando de mais pura felicidade sem preocupações terrestres, num céu de inverno como o de hoje, no auge da mais insustentável leveza do ser.




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