ou ‘o personacentrismo da via lactea’
“[...] Como cada uma de vocês entrou no meu pensamento, no meu coração…”, disse certa vez Isa Carral. (Ou vocês acharam que por uma vez eu tinha tirado um tema do ar enfumaçado do meu quarto?)
Então, por que eu nunca me senti assim, gradualmente contagiada pelas pessoas? Pessoas nunca foram de pouco pra muito, eu tenho um instinto pra isso : eu sabia que a Isa um dia ia ser A Isa, mas eu também sempre soube que a Héloise, por exemplo, nunca ia passar disso, aquela pessoa que é simpática, sim, mas não tem muito a ver comigo.Tá, eu nunca de fato mudei. Eu nunca estive em outra escola. Mas eu até cheguei a pular de ano. E eu era semi-nômade antes de encontrar esse apartamento de Laranjeiras. Mas minha vida toda, pessoas foram e voltaram (culpa dessa escola bilingüe e da maldita Michelin), e eu odeio admitir, mas nunca senti saudades. Exceto, e digo isso com orgulho, da Juliette. Nunca ninguém me fez falta nenhuma, exceto ela.
Eu pulei de ano e parei de falar com todas as minhas melhores amigas para mergulhar num círculo social totalmente novo quando eu ainda era aquela meninha tímida. Pessoas sumiram na minha vida, ‘ah, eu volto pro Brasil assim que puder, me escrevam e-mails!’ e nunca mais deram nenhum sinal de vida, e como isso me afetou?
Por que a Isa sente essas diferenças, de se tornar alguém em lugares e com pessoas novas, e eu… não?
É simples. E é complicado ao mesmo tempo, porque é controverso, como tudo da natureza humana. Porque a Isa é a Eterna Romântica e eu sou a Realista Inveterada, mas nossos mundos, são o contrário.
O mundo da Isa, não é o Mundo Da Isa, é o mundo onde ela vive, é um mundo fixo do qual ela faz parte. Onde num lugar novo, as pessoas já estavam lá, ela é o elemento recém-chegado.
Meu Mundo, é precisamente isso, “MEU Mundo”, eu sou o centro, eu sou fixa, o resto é que é passageiro. Custa deixar uma marca em mim como a Juliette conseguiu. Receio dizer que nem a Isa ainda consguiu, apesar de estar num ótimo caminho. Os lugares que eu não conheço, será que eles existem? Podem até existir, mas falta concretizar. Eu sou a pessoa que não se importa com tudo que há em volta, eu aproveito o horizonte que eu posso ver agora.
E é por isso que a Isa vai ficar no Rio de Janeiro, e eu vou embora.
Parecia que fazia mais sentido na minha cabeça, no papel fica confuso, mas façam um esforço, está tudo aí para vocês entenderem.